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Casa da Gorda

Casa da Gorda

31
Out18

Um bom dia de chuva é aquele que tem greve

Gorda

Chuva.jpg

 

Pudesse eu e vivia como as cegonhas, sempre às voltas mundo afora, uma casa em cada país, porque isto com chuva uma pessoa não se aguenta.

É certo que sabe bem estar em casa, caneca de chocolate na mão, roupa polar da Primark (não conheço outra realidade), peúgas cheias de borboto, um filme que estreou na semana passada mas andei para trás para poder ver. Lá fora a água a cair sem piedade. Eu, como nunca sei estar descansada com o que quer que seja, arrelio-me com as pobres das almas que têm profissões que as obrigam a fazer a vida com aquele tempo. O camionista que conduz numa estrada mais perigosa, o médico que está a caminho do turno, o enfermeiro que trabalha nesse fim de semana.

Esqueço-me das minhas queixas laborais e volto a sentar-me no sofá.

Seria quase romântico se eu tivesse a casa arrumada e não acabasse a gritar um “foda-se” porque piso uma peça de Lego quando vou da janela – onde estive com pensamentos existenciais – para o sofá.

Isto é tudo verdade, quando a chuva decide cair em condições que considero minimamente óptimas, ou seja, à noite, em dia de fim de semana (já mais para o final do dia) ou naqueles dias em que, mesmo podendo fazer alguma coisa melhor com a vida só me apetece vegetar em frente à televisão. E pelo menos quando chove sinto menos aquela culpa do “ah e tal está um solinho tão bom e eu não me consigo sentir com vontade de ir a parte nenhuma”. Em cenário de chuva, faltando a vontade, a pessoa pespega com as culpas na meteorologia.

Em todos os outros cenários eu prefiro que o tempo esteja seco e minimamente ameno, isto é, sem água a cair do céu e sem muito frio nem muito calor. Porque o frio obriga a pessoa a andar encasacada e o excesso de calor agasta gente com tensão baixa como eu.

 

Mas, como a vida é uma daquelas madrastas da Disney, opta por mandar chuva em dias muito específicos para dar cabo do dia a uma pessoa.

Podia chover no fim de semana? Podia.

Mas em vez disso, chove numa quarta-feira, véspera de feriado, quando os gajos dos transportes fazem greve (que é uma coisa que ainda alguém me irá explicar, esta coincidência de as greves estarem sempre de mão dada com feriados e fins-de-semana. Deve ser por contas do agastamento das manifestações que não fazem) e todo o mundo tem de ir de carro para o trabalho.

Em resultado desta maravilha uma pessoa fica presa horas numa fila pirilau, porque há carros a mais, aumentando também a amostra de nabos que se mandam uns contra os outros porque os cabrões dos pneus parecem ser alérgicos à chuva. Irritados guinam para cima das outras viaturas, escavacando a chapa alheia e arrebentando com os horários dos que vêm atrás.

 

Está a ser um dia adorável, com o frio, a chuva, as meias húmidas e as bichas do trânsito. Tudo. Para completar o ramalhete só me ficou a faltar um enxame de ciclistas segunda circular afora e eu hoje já não tinha cabelos na mona.

 

Resto de bom dia e que acertem com um escadote na fronha do primeiro Frankenstein que se vos aparecer à frente.

 

Para mais chalaças e coisas sem designação podem seguir-me no Instagram (só não esperem boas fotos que esta que vos escreve tem pouca competência para a lente).

 

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