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Casa da Gorda

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Qui | 24.01.19

Uma crónica sobre não escrever uma crónica

Gorda

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Pensei em escrever uma vez por semana, o processo de escrita é catártico, obriga-me a rir do que me deixa frustrada, exige-me o exercício de ver a minha própria vida fora do contexto, como se eu estivesse fora dela, como se eu fizesse parte  de um qualquer painel de controlo que está a ver os acontecimentos a decorrer dando pequenos ajustes aqui e ali, mas sempre sem o poder que desejava ter.

 

Pensei em escrever uma crónica por semana mas o tempo foge-me das mãos. O tempo e as ideias que são mais esguias que as enguias no mercado se Setúbal, umas vezes aparecem aos magotes, outras parecem fantasmas que passam lá ao fundo, aparecem para fazer BUUUUUU e depois somem-se sem eu ter tempo de apontar nada. Às vezes sento-me e escrevo vários textos, ficam em folhas soltas ou em posts no blog que não veem a luz do dia, uns parecem-me fracos, outros demasiado macambúzios, outros o aproveitamento de restos de ideias que me sabem sempre à salada de segunda-feira, quando aproveito as sobras do frango assado do fim de semana.

 

O problema está na falta de tempo, nunca tenho tempo que chegue para nada. Consigo apontar umas parvoeiras, escrever umas coisas tontas nas redes sociais, interagir com as pessoas, fazê-las rir por 5 segundos e divertir-me no parco tempo em que estou a preparar aquela chalaça. Diverto-me com as respostas que me dão. Nem imaginam como me divirto. Não lhes consigo responder a todos como gostaria (não que sejam muitos, o meu tempo é que se resume a migalhas), mas leio e sabe-me tão bem ler as respostas.

Não apanho parvos, só gente divertida.

 

No outro dia lia um texto sobre gestão do tempo, como acontece com muitas das coisas que leio passei os olhos na diagonal e perdi o interesse antes mesmo de chegar ao fim. Dizia a pessoa que o dia se podia segmentar, iam 8 horas para o trabalho e por isso restavam 16 horas para muitas outras coisas. Começou a perder-me aqui, porque o meu trabalho não me ocupa só 8 horas do dia, nem o meu nem o de nenhuma das pessoas que conheço, a menos que haja alguém com acesso a teletransporte, porque eu gasto 1 hora para ir para o trabalho (com sorte, se ninguém se estatelar a caminho da ponte) e mais uma hora a regressar (mais uma vez rezando aos santos para que ninguém entre na traseira do condutor da frente). Tenho de gastar 1 hora em almoço: questões de lei laboral, regras de empresa e condição humana que me força ao alimento.

Aqui são 11 horas que eu lixo.

Depois dizia a pessoa que dormia 8 horas, foi quando comecei a sentir a minha vista a definhar, porque gente que tem teletransporte ainda aceito, agora pessoas que dormem mais de 6 horas irritam-me bastante, até as que o fazem sem ser de forma intermitente. Continuava com mais algumas dissertações mas nessa altura ao meus neurónios já estavam a assobiar para o ar, é que eu acho muita graça àquela coisa do multi-pluri-mega-tasking, mas acho que isso dá sempre em pluri-merding e eu prezo muito a minha self-sanity, maneiras que vou fazendo um bocadinho de cada coisa, mas sempre a medo e com a profunda vontade de terminar pelo menos uma tarefa por dia.

 

Chegou terça-feira e eu não escrevi uma crónica, tinha textos guardados mas nenhum me pareceu suficientemente bom, por isso não os publiquei, tenho de os olhar de novo.

Adiei.

Iniciei o processo de quem se convence a não escrever uma crónica. Que não fazia mal, que as pessoas tinham mais que fazer do que pensar nisso, que tinha de me focar no meu trabalho. Que, assim como assim só escrevo porcaria pelo que não teria interesse nenhum. Assim fiz.

Mas hoje pareceu-me que me devia obrigar a sentar para escrever.

 

Disciplinei-me para isso.

 

Não é uma crónica é uma coisa sobre coisas soltas que mostra muito de como está a minha cabeça: a fazer coisas à pressa, algumas sem sentido, pululando de tema em tema, frenética à procura de salvação para os múltiplos desafios que se me apresentam, passando por limpar a casa de banho que já está a ficar em estado degradado, à resolução de questões profissionais, culminando neste meu entretém de escrita ao qual nem sempre consigo chegar.

 

A vida vai assim, confusa, excessivamente preenchida, a fazer um pouco de tudo e sem aproveitar o tudo de nada (esta frase está introspetiva até à dor do lóbulo esquerdo do meu crânio) e este é o texto possível.

 

Vou dizer a mim mesma o que a minha mãe me dizia sempre que eu tirava um “Satisfaz” mas queria um “Muito bom” sem ter trabalhado para ele: deixa lá, para a próxima fazes melhor.

 

 

(Nota: este post foi escrito em exatamente 11 minutos e não teve qualquer revisão, pelo que, se não fizer qualquer sentido eu peço desculpa, foi o melhor que consegui deitar cá para fora.

 

 

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