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Casa da Gorda

Casa da Gorda

Sab | 13.04.19

X- File Têxtil

Gorda

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Estava a ofender o meu vestido bordeaux de renda pela décima vez quando me ocorreu que existem pessoas, sentadas numa qualquer sala com folhas de papel à frente e lápis de cores, que são pagas para enjorcar roupas que muito provavelmente podem levar uma gaja à loucura quando esta se está a tentar vestir de manhã, ainda com os olhos meio ramelosos, sem conseguir dar com o caminho adequado para se inserir dentro do modelito.

«Ora deixa cá ver como é que eu posso criar uma coisa que uma gaja mal consiga entrar lá para dentro!», esta tem de ser a permissa para a criação de algumas peças. Como aqueles vestidos de renda, que têm uma espécie de vestido de cetim por baixo, que por sua vez está preso por pequenas linhas a áreas estratégicas da renda e a pessoa quando entra naquilo tem de conseguir enfiar os membros em dois vestidos em simultâneo. A pessoa estende a obra prima na cama, prepara com perícia certos pedaços do tecido que servem como pontos de referência, retém o ar e, ainda em apneia, tenta entrar lá para dentro. Umas vezes entra só um braço, outras fica a alça de fora. É um autêntico matrix têxtil. Quando a pessoa consegue levar a cabo a proeza estoica de ficar composta dentro daquilo, está capaz de desatar à lambada com meio mundo. Parecia tão mais simples no manequim. Ainda que o festival de cotoveladas que se deu no provador deveria ser um indicador de que as coisas pelas seis da manhã, a meia luz, podiam correr mal. Mas lá está, a pessoa quando está lançada para comprar…

...nada para a gaja nas compras.

 

O ano passado fui a uma loja de biquinis e fatos de banho para comprar uma coisa de marca. Tinha perdido os 5 quilos que tinha a mais, tinha fome mas andava contente, pelo que me apetecia uma daquelas coisas com franjas e redes e folhos, como as gaijas do Inscagram usam. Vai daí e encontrei um fato de banho preto com franjas que me luziu o olho. Passei pela montra cerca de cinco vezes até decidir entrar. Pedi para experimentar. Pessoas, eu tentei entrar de lado, tentei entrar de frente, tentei entrar por trás, tentei vestir aquilo pela cabeça. Parecia que estava nos jogos sem fronteiras da roupa de praia. Não consegui. Nunca soube se me servia porque só consegui enfiar lá dentro metade de mim.

Chego cá fora e pergunto à moça da caixa:

- Pode dizer-me como é que isto se veste? Não consigo entrar lá para dentro.

- Pois eu também não sei.

- Mas vestiram ao manequim.

- Pois foi, tiramos-lhe as pernas e os braços. Depois voltámos a montar.

 

Não comprei nada.

 

 

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